(nem tão) Breves percepções sobre Paul McCartney

Reconheço que tinha abandonado o blog. Os motivos não importam, afinal, isso aqui ainda não tem muita audiência. Mas, o que importa é que coisas mudaram. Agora, defino minha vida em pré-Paul e pós-Paul. Claro, todo fã de rock n’ roll e, principalmente, beatlemaníaco brasileiro vê o mês de novembro de 2010 (7 em PoA; 21 e 22 em SP) como um marco em suas vidas. E eu, logo eu, não poderia deixar de viver isso.

Mas, vamos aos fatos:

Não sei defiinir exatamente quando comecei de gostar de Beatles. De todas as bandas que curto, posso dizer quando foi a primeira vez que ouvi ou o porquê de ter me apaixonado, mas Beatles, ah, Beatles… eles transcendem. Nasci com eles no meu coração. Só que isso é um tanto vago, né?

Então, tenho minhas suposições sobre quando começou meu amor pelo Fab4: Vivendo a vida adoidado. Sim, o filme. Como toda jovem nascida no final dos anos 80, que passou a infância nos 90, cresci assistindo à Sessão da tarde, e este é um dos filmes que mais me marcaram. E a cena do Ferris cantando Twist and Shout é inesquecível:

Ok, já está explicado. Vamos ao show?

Pois é, ali por agosto comecei a ler em blogs especializados sobre boatos da vinda do Paul. Eu tinha certeza que iria, só não sabia como. Cerca de um mês antes da confirmação do show, do nada, caiu na caixa de entrada da minha mãe, um e-mail de uma agência de viagens que organiza excursões pra shows. Entre as fotos dos possíveis artitas internacionais a se apresentarem aqui no segundo semestre, estava Sir Paul. Mamãe, muito querida, encaminhou este e-mail pra mim. E eu, na hora, entrei em contato com a agência. Pronto. Um mês antes da confirmação, meu nome já estava na pré-lista da excursão.

O “como” ir já estava resolvido e o show foi confirmado. Só faltava esperar a venda de ingressos. Assim, surgiu outro “como”. Como eu, aqui de Cunha Porã, sem cartão de crédito, sem ser sócia do Internacional, nem assinante de algum veículo da RBS, compraria meu ingresso? Sim, eu surtei. A agência não me confirmou que conseguiria comprá-los. Eu precisava dar um jeito.

No dia me que venderiam os últimos ingressos, um bom amigo se prestou a ir para fila por mim, mesmo já tendo a entrada dele. Ele também não conseguiu. Eu estava desesperada e sem poder fazer nada. De repente, meu telefone toca. Era da agência: “Cancela com a pessoa que compraria o ingresso pra ti, nós conseguimos comprar pra todo mundo”. Ótimo, todos meus problemas estavam resolvidos. Já tinha como ir e o ingresso estava na mão.

Na mão? Ainda não. Quando eu fizesse o pagamento, me mandariam o ingresso pelos Correios. Dias se passaram e nada do meu ingresso aparecer. Entrei em contato com a agência, “sim, amanhã cedo eu mando”. Amanhã cedo era sábado, sábado os Correios não abrem. Pior, sábado véspera de feriadão. Terça era dia de finados. “O QUE EU FAÇO, MANHÊ?” Sim, já estava envolvendo todo mundo no meu drama. Mamãe, querida como sempre, lembrou de uma conhecida que morava na cidade da agência e que viria pra cá na segunda-feira pré-feriado. Ela poderia trazer, certo? Liguei no celular do responsável pela excursão segunda às 9h. Voz de sono. Certo que ele não tinha mandado meu ingresso ainda e nem mandaria nesse dia. Expliquei a situação. Ele concordou. Segunda à tarde, finalmente, ingresso na mão.

Agora não tinha mais com o que me preocupar, só precisava confeccionar um coração pra homenagear o querido Paul.

E chegou o dia do show. Saí de casa pouco antes das 4h30min de domingo, dia 7. Meu avô querido me levou para Chapecó, onde pegaria o ônibus da excursão às 6h30min.

The Magical Mystery Tour!

A viagem foi tranquila. Chegamos em Porto Alegre por volta das 16h.

Eu já estava desesperada. Se pudesse, teria ido para a fila na quinta-feira. Mas, tive que me contentar com isso. Falando em fila, não conta pra ninguém, mas eu furei. Juro que foi sem querer. Tinha um buraco entre a multidão, parecia mesmo o final da fila. Me enfiei lá e ninguém reclamou. Alguns minutos depois percebi e burrada que fiz, mas fiquei por ali mesmo. Sou má?

O lugar não era bom. Debaixo de Sol forte, em frente a um banheiro químico que estava vazando. As pessoas que por ali passavam, faziam cara feia, mas os companheiros de fila e eu já estávamos acostumados. Nada poderia acabar com nosso humor.

Tentei fazer amigos. O casal na minha frente tinha noivado naquele dia, os dois guris na frente deles vieram de Belo Horizonte pra falar que a cerveja Polar era ruim, forte demais. Só pensei comigo mesma: “fracos”.

Enfim, com mínimo atraso, o portão 7 se abriu. Instantaneamente, a fila se desfez e a sorte estava com os mais espertos. Consegui, novamente, um lugar mais a frente do meu. Dessa vez, não foi maldade minha, todo mundo saiu da fila na ância de entrar logo. Alguns conseguiram ir mais pra frente, outros não. Sorry.

Entrei. Só precisava esperar mais 3 horas. Lá dentro tinha sombra e cerveja quente. Dava pra passar o tempo.

Uns ainda procurando o melhor lugar, outros já sentados, acomodados para não perder seu posto e para poupar as pernas. O assunto mais comum era futebol, claro. Colorados exaltados com a honra de receber um Sir, e gremistas loucos da vida em ter que pisar naquele solo contaminado. Para mim, apenas um detalhe sem importância.

Ao escurecer, a ansiedade tomou conta de todos. Estava quase na hora. A cada dimunuída no som do videozinho que passava no telão, gritos. Afinal, Paul entra no palco em silêncio. A qualquer momento ele poderiia surgir. E, finalmente, apareceu.

A primeira foto :)

Confesso que minha primeira reação foi… sem reação. Eu não podia acreditar que estava diante do meu ídolo, do ídolo de tantos que ali estavam. Não sabia se pulava, gritava ou chorava. Melhor: tudo ao mesmo tempo.

Na terceira música, entendi o que estava acontecendo. Logo ali no palco havia um Beatle, ele estava tocando Beatles e diante dele, 50 mil beatlemaníacos cantando em coro. Dali pra frente, o que mais fiz foi chorar. Chorei em mais de 50% da apresentação. Não foi um chute, eu calculei com base no set list. Foi só assinalar as músicas que eu lembrava ter chorado e fazer um simples cálculo (eu nunca fui boa nisso, então, duvide desse resultado).

Todos ali estavam unidos pelo mesmo sentimento. As homenagens combinadas pela internet foram cumpridas: havia corações de todos os tipos, balões brancos e isqueiros. Ver tudo isso, fez aumentar ainda mais minha emoção.

Acredito que, para a maioria, o clímax do show foi quando estouraram fogos do palco e ele tocou Live and Let Die, seguida de Hey Jude. Confesso: me lavei chorando.

Mas, pra mim, a melhor parte foi quando ele tocou a minha música preferida dos Beatles, Get back. Estava bem feliz filmando Lady Madonna, quando reconheço os acordes da música seguinte. Eu, que queria filmar duas canções em sequencia… só queria. Pode perceber meu desespero no final desse video:

As 3 horas de show passaram mais rápido do que eu esperava, mais rápido do que eu queria. Acabou. Voltei pra casa. Ainda hoje, mais de uma semana depois, não consegui interpretar muito bem o que vivi. Só sei dizer que foi mágico e eu quero de novo.

Get Back, Paul. =]

~ por Lauren Stella em 17/novembro/2010.

Uma resposta to “(nem tão) Breves percepções sobre Paul McCartney”

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