Confissão I

Para Fran, eternamente Fran


Estive pensando…

É engraçado como nós somos tolos, todos nós. Consegue perceber que quando nos apaixonamos por alguém, mal conhecemos a pessoa? Muitas vezes, sequer sabemos o nome. Vemos um rosto, observamos uma atitude. E isso nos basta. É o suficiente para nos entregarmos ao desconhecido. É o desconhecido que nos move. Que nos faz acreditar que o impossível é fácil de alcansar. Afinal, o amor verdadeiro e sincero é algo realmente impossível, acredito eu.

Pronto. Se apaixonar pelo obscuro é simples, é questão de um olhar e/ou de uma palavra. Porém, nós, seres humanos, não nos contentamos com o amor puro e simples. Queremos sempre ir além. O que nos atrai é a descoberta do que está escondido.É atingir o inatingível. Para que sossegar com o mínimo, se podemos ter tudo? Mesmo que, no fundo, sabemos que é o tudo que pode acabar com o pouco que temos…

Aos poucos, vamos subindo os degraus. Não sabemos o que nos espera no topo. Sempre desejamos algo bom, afinal, coisas ruins nunca acontecem comigo, não é? Uma pena que a vida e os sentimentos não são assim… tão simples. O que nos aguarda no final da escalada, geralmente, é uma decepção. É o final que nos importa, então? Acredito que não. O que necessitamos é o que fica entre o desconhecimento cego e o conhecimento indesejável. Aquelas mudanças que sofremos e que impomos à vida do outro. Quando dois corpos se unem, duas almas já não são mais as mesmas. Influências e modificações sutis que ocorrem sem que ninguém perceba. Isso nos torna melhores. Isso é o que desejamos.

Depois de mudanças e adaptações, nos conhecemos melhor, conhecemos o outro como a nós mesmos. Assim, o encanto se vai. Aquele brilho no olhar de quando o desconhecido nos interessava se apaga. Aquilo que queríamos tanto, conhecer a pessoa de quem gostamos, é o que estraga tudo. Por isso, nem sempre a melhor escolha é fazer de tudo para conhecer o amor. Uma surpresa pode fazer bem, principalmente quando o final é iminente.

Enfim, o que eu desejo? Que você seja como um labirinto. A cada passo, uma nova descoberta, mas, com um final difícil de atingir. E, se possível, nenhuma saída.

 

Escrito ao som de Iron & Wine, culpa sua. 15/02/2010 23h45min

~ por Lauren Stella em 16/fevereiro/2011.

2 Respostas to “Confissão I”

  1. [...] This post was mentioned on Twitter by Angela Schussler, Lauren Stella . Lauren Stella said: Confissão I http://wp.me/p4WmC-25 [...]

  2. Biito !!!

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